Chuvas de verão: catástrofe ou desinteresse?

Toda vez que pessoas morrem em nossa sociedade do século XXI por causa das chuvas lembro-me de Machu Picchu. Admiro-me! Como regredimos! As pessoas, em nossa sociedade do século das histórias da ficção científica estão abandonas. Não por falta de tecnologia – temos muita. Não por falta de dinheiro – já somos a sexta potência mundial. Não por falta de políticos – temos muitos e os mais bem pagos do planeta. Não por falta de impostos – somos a população que mais paga para viver em seu próprio território. Nosso povo morre por descaso. Nosso povo morre porque foi esquecido à sua própria sorte. Nosso povo morre, porque já não somos mais um povo. Viramos, e aceitamos ser, consumidores. Somos contados, contabilizados e divididos…. mas já não somos um povo.

Um povo – lembrando Machu Picchu – organiza-se para construir espaço de dignidade para a sua vida. Não vou discutir a divisão social daquele tempo. Admira-me a capacidade de construírem uma cidade que até hoje é um ícone. De nossa parte, de ano a ano, aguardamos, esperamos que os políticos reconstruam a cidade com o dinheiro que eles desviam. Impossível isso funcionar. Por falta de política habitacional e organização, continuamos a construir nas encostas, sem qualquer segurança. Ou vivemos em casas baixas quase dentro do leito dos rios. Porém, não é aceitável que se constitua aqui um novo mercado,  uma nova ‘industria’. Lado a lado, a indústria a seca e a indústria das enchentes e catástrofes fazem a alegria daqueles que enriquecem com a desgraça dos outros.

Às vezes me pergunto: o Brasil hoje está quase inteiramente entrecortado por grandes tubulações de gás e óleo. Os oleodutos e os gasodutos conduzem a riqueza e o lucro quase de norte a sul do país. Será que não poderiam fazer um sistema semelhante para transportar água? Transportar em grandes tubulações a grande quantidade de água de uma região para outra? Terminando com dois problemas ao mesmo tempo: enchentes e secas?

Certamente, um sistema assim não traria lucros como é possível verificar nos oleodutos e gasodutos…. Mas se salvasse uma vida, já teria valido a pena. Porém, para aqueles que tomam decisões a vida de uma pessoa parece não ter tanta importância… Pena, nas próximos chuvas de verão ainda vamos chorar nossos mortos…. Ainda não seremos um povo…. Mas continuaremos pagando com o próprio sangue os altos salários de políticos inescrupulosos, capazes de contabilizar lucros com a morte de seus concidadãos….

Em tempo: A pena para a corrupção deveria ser: além de mais de 30 anos de prisão, que todo o dinheiro público roubado deveria retornar aos cofres públicos em dobro, mesmo que para isso os corruptos perdessem todos os seus bens. A impunidade cria a possibilidade.

Anúncios
Esse post foi publicado em Cotidiano. Bookmark o link permanente.