Ainda um Impeachment em andamento?

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O calor das lutas e polarizacao das ideias pode nos levar a não refletir corretamente. É bom dizer que não aceito o golpe. Desconheço a legitimidade do Vice Presidente Temer para governar o País. Identifico que a oposição colocou pessoas chave encargos estratégicos para dar garantias para o seguimento ao golpe e para vestir-se uma roupagem com aparência de legalidade.

Dado a conhecer o que penso sobre o golpe, vamos ao momento que vivemos. A presidente eleita, Dilma Rousseff foi afastada de suas funções para que haja o prosseguimento do processo no Senado. O afastamento da presidente, imposto pela própria Constituição é um instrumento que impede que o julgamento venha a ser prejudicado.

Estamos vivendo no Brasil exatamente este momento político. Dilma está AFASTADA, e durante seu afastamento assume o Vice Presidente. Portanto, ao menos nestes180 dias de afastamento da Presidente, o Sr Temer continua sendo e só é VICE PRESIDENTE EM EXERCÍCIO.  Erram os jornais quando o chamam de Presidente em exercício, pois o País não pode ter dois presidentes. Dilma continua presidente e está em solo brasileiro. Apenas por força do processo está afastada, mas ainda não perdeu o cargo.

Dito isso, ficaram grand incógnita sobre as ações do Vice presidente Temer desde o afastamento da Presidente. Se o afastamento do presidente se dá para que ele não possa influenciar no resultado do processo de impeachment, também não pode o vice presidente em exercício fazê-lo.  Portanto, se o afastamento definido pela Constituição e de 180 dias, não deveria o vice presidente em exercício aguardar este tempo e a condenação definitiva para poder mudar a estrutura do governo? Se estamos enumera tempo de afastamento da Presidente,cosmópole o Vice-presidente eleger Ministros, fechar ministérios e dar outros encaminhamentos que são próprios do presidente.  Lembrem que este é um tempo novo parda todos. Pois quando do Impeachment do presidente Collor ele renunciou. Não é o caso neste momento. Não houve renúncia.

Portanto, se ainda acreditamos nas instituições, sendo estejam tempo de afastamento e de andamento do processo, pois a votação na Câmara, apenas deu aberturas processo no Senado, há de se reconhecer que estamos diante da possibilidade da presidente retornar ao poder. Portanto, fica a pergunta, poderia o senhor Vice Presidente fazer o que estafaremos nestes 180 dias? Penso que não. Poderia talvez trazerpara próximo de si algumas pessoas de suas confiança e por 180 dias dar encaminhamento paraque seguisse o plano de governo pelo qual ele foi eleito Macapá da presidente.

No tempo do afastamento, mudar ministros, eliminar ministérios, trucidar o plano de governo e trazeroutro plano totalmente diferente daquele que foi eleito com a chapa  que venceu as eleições configura um GOLPE que desrespeita as eleições e por conseguinte desrespeita na raiz a constituição. “. Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.

Portanto, poderia o vice presidente fazer o que está fazendo se a presidente já estivesse condenada em definitivo pelo Senado. Mas a pressa, o inebriante ar do golpe,  o conluio entre legislativo e judiciário, parece ter deixado sem rumo o País. É cada vez mais o Vice presidente Temer age como golpista, sustentando-se nas falsidades que se multiplicam desde o início de todo este processo. As ações apressadas do Vice presidente abrem sua própria cova em baixo de seus pés. É bem possível que sua fome de poder e sua incapacidade sejam instrumento para salvar Dilma da derradeira eleição do Senado. Alguns senadores já perceberam a besteira que fizeram….

 

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A lição deixada pelos torcedores japoneses na Copa no Brasil: DERSU UZALA NA COPA

Leonardo Boff

Do Amazonas nos chega esta belo texto de José Ribamar Bessa Freire (Diário do Amazonas de 22/06/2014) com o título: DERSU UZALA NA COPA

Não somos ainda suficientemente civilizados para nos compararmos com os torcedores japoneses que passaram pela Copa. Perderm o jogo mas nos deixaram uma lição que é um ganho inestimável como exemplo daquilo que podemos e devemos ser e fazer quando se refere ao lixo e  aos objetos descartáveis.Agradecemos ao jornalista Bessa Freire por este testmunho que estimulará, seguramente, a muitos brasileiros e brasileiras. Ao invés de gritar “não vai haver Copa” deveríamos, imitando os japoneses, dizer “Não vai haver lixo“:  LBoff

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No futebol “a bola é um reles, um ridículo detalhe” – escreve Nelson Rodrigues, para quem o que interessa é “o ser humano por trás da bola”. O que está em jogo no gramado, portanto,“não é a diversão lúdica, mas…

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O vergonhoso fim da Lei de Gerson

Em 1976, a Agência Caio Domingues & Associados, contratada pela fabricante de cigarros J. Reynolds levou à TV a peça publicitária que apresentava Gerson como um dos cérebros da Seleção brasileira da copa de 70. Gerson está sendo entrevistado em uma sala de visitas, fala das vantagens de fumar o cigarro Vila Rica e afirma “Gosto de levar vantagem em tudo, certo? Leve vantagem vc também…” ()

Na consciência popular, esta publicidade, aparentemente ingênua,  transformou-se no estereotipo  do jeitinho brasileiro, logo definida como Lei de Gerson. Desde então o nome de um dos principais jogadores de futebol da seleção de 70 passou a estar associada a todas as jogadas nem tão éticas em todas as relações, e principalmente nas relações políticas e econômicas. Bom mesmo é levar vantagem…

Gerson arrependeu-se de ver seu nome associado a uma lei que valorizava justamente as ‘jogadas’ sem lei nos mais diversos universos do cotidiano humano. Mas já era tarde. Para sempre a Lei de Gerson passou a ser sinônimo da malandragem, da corrupção, da capacidade de dar nó em pingo d’água para obter alguma “vantagem”.

Enquanto um texto publicitário transformava um ídolo nacional em fumaça nas baforadas reproduzidas na telinha para vender cigarros, a lei que se deduziu desta mídia espalhou-se qual névoa da madrugado pelo território e pala história brasileira. Não é difícil ver na história de nossa nação as terríveis marcas que a lei da vantagem deixou na política, na saúde, na economia e no futebol. Não que ela já não existisse, mas agora tinha um nome próprio e o apoio involuntário de um ídolo nacional…

A Lei de Gerson que nasce, tendo como protagonista um dos principais jogadores da copa de 70, acaba, por fim, humilhada na copa em solo brasileiro em 2014.

De 70 para os dias de hoje vimos o futebol nacional transformar-se em nova colônia do poder econômico e subserviente aos grandes times do primeiro mundo. Alvo dos caçadores de talento por um lado, ansiosos pelas vantagens de lançar o nome de jovens craques e ganhar muito dinheiro com isso. De outro lado, os clubes nacionais transformam-se em incubadoras ansiosas por vender jogadores para o exterior.e obter lucro. Sonho de menino com bola no pé hoje é jogar em times da Alemanha, da Espanha…

Não há porque citar os processos, ainda em andamento, da venda do jogador Neymar para o exterior. Certamente este é apenas mais uma ponta do iceberg que se esconde no mar de situações inexplicáveis que rondam times de futebol, CBF e tantas outras entidades que sobrevivem  do futebol.

A derrota da seleção do Brasil, na copa da FIFA de 2014 em solo brasileiro, não foi a derrota dos 12 jogadores que estavam em campo. Besteira. Estes meninos não têm culpa de fazerem parte de uma estrutura falida, acostumada a ‘levar vantagem’ em um País que parece alegrar-se em voltar a ser colônia. Perder da Alemanha por 7 a 1 não foi obra de um apagão de 7 ou 10 minutos, como os comentaristas esportivos nos querem fazer acreditar.  Estamos diante de um apagão de meio século, de um País que parece acreditar que a Lei de Gerson e o Zé Carioca, dos quadrinhos de Walt Disney, têm razão. Acreditamos que este é um país do futebol, do carnaval, belas mulatas e muita pizza.

Enquanto isso, outros países têm feito a tarefa de casa. Evoluíram. Não só no futebol. Mas na saúde, na educação, na política, na cultura. Transferem para o futebol a índole de povos capazes de sobreviver às cinzas da guerra e a superação da miséria.  A Alemanha chega a copa sem ídolos, mas com uma grande equipe. Já há mais de vinte anos que os mais diversos setores da educação e da economia alertavam que o futuro seria ocupado pelo trabalho em equipe. Bernardinho, técnico da seleção de vôlei do Brasil já havia demonstrado isso. Porém, qual ressaca depois da festa, o futebol brasileiro continua insistindo em buscar ídolos, salvadores da pátria. O futebol brasileiro vive de lembranças, saudades dos ídolos e iludido pela fumaça de um ou outro excelente jogador que aparece de vez em quando. A mídia esportiva esforça-se, a cada ano, em descobrir entre as pernas que lutam pela bola nos campos de futebol aqueles que serão os novos Pelés ou os novos Garrinchas. 

Por fim, depois de um vexame de 7 a 1 é hora de crescer. O bom futebol só pode ser conquistado com um País bem alimentado, que tenha uma infraestrutura digna de saúde, educação, transporte e política. A vergonha dos 7 a 1 deve nos ensinar que o trabalho em equipe é muito mais eficaz do que acreditar em ídolos. Estes estão ultrapassados e tombam rapidamente no combate. Não precisamos de ídolos nem no futebol, nem na política. Carecemos de projetos capazes de construir um país para um povo.  O circo caiu. A Lei de Gérson está ultrapassada.  Já é hora de despertar do “berço esplêndido”!

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Exilados no próprio País…

Há algum tempo, ao ler jornal ou ver o noticiário na TV é possível ter a terrível sensação de se estar exilado no próprio País. Não é um sentimento de amargura ou desespero. Pelo contrário, é uma necessidade de buscar entender melhor o modelo de sociedade no qual vivemos, mas não escolhemos.
Ninguém escolhe viver em uma sociedade onde crianças atiram em pais de família. Ou em uma sociedade onde crianças estão abandonadas, sem pais, sem escola e sem condições de vida ou de receber qualquer formação para enfrentar a vida e o futuro. Não se escolhe viver em uma sociedade onde se gasta muito mais em blindagem de carros e sistemas de câmeras de segurança do que em escolas e hospitais. Ninguém deseja viver em um País onde há corrupção. E os corruptos, em todos os partidos políticos e instituições do Estado, se apropriam indiscriminadamente do dinheiro público: transformam em propriedade privada o dinheiro e os bens que deveriam servir a todo o povo. A ação destes bandidos rouba a escola, rouba o hospital, rouba o transporte público, assassina o futuro de nossas crianças. Sem usar armas de fogo, os corruptos assassinam centenas de vidas a cada dia em seus escritórios, em seus acordos fraudulentos.
Este universo de coisas só parece ser possível a partir do momento em que se perdeu o sentimento pátrio. Um corrupto não tem pátria. Não tem qualquer sentimento de nacionalismo. Busca apenas sugar tudo o que pode, sem jamais pensar no futuro da nação ou nas necessidades dos outros cidadãos.
No outro extremo desta imagem triste está o cidadão: cada um de nós que desejamos um país sem violência, com escola, com hospital, moradia, com trabalho e com fartura para todos. A estes parece que resta lembrar as palavras do poeta: “Minha terra tem palmeiras,/ Onde canta o Sabiá; /As aves que aqui gorjeiam,/Não gorjeiam como lá.”
Porém, o grande problema deste sentimento, de se estar exilado no próprio país, é a condição de que não há para onde voltar. Ao menos não, enquanto todos continuarem acomodados e calados, buscando no máximo a própria segurança, sem que se exija uma ação global capaz de construir projetos para o desenvolvimento do homem/mulher, capaz de aprimorar a vida e não o LUCRO. Enquanto a meta de um País for o índice de crescimento econômico e não o bem-estar de seu povo, este não é um País, não pode ser chamado de Nação! É apenas uma máquina devoradora de vidas, onde todos os cálculos e artimanhas são possíveis para salvar a economia, mesmo que isso custe vidas humanas.
A continuarmos neste mesmo passo não haverá como cantar a última estrofe de Gonçalves Dias: “Não permita Deus que eu morra, / Sem que eu volte para lá; / Sem que desfrute os primores / Que não encontro por cá; / Sem que ainda aviste as palmeiras, / Onde canta o Sabiá.” Pois, se nada for feito em defesa da cidadania, em defesa do País, para que recobre seu status de Nação… Se nada for feito para que nossas crianças tenham escola e diversão, não há para onde voltar…

(Editorial, Jornal Presença Diocesana, n. 148, dezembro de 2013)

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DAS RUAS AOS ESTÁDIOS: UM POVO BOM

Povo vai às ruas em Belo horizonte

Povo vai às ruas em Belo horizonte

Há uma maneira de SER BRASILEIRO que nos destaca como um povo diferente, que vai para além, muito além da alegria, ou do samba, é uma marca em nosso povo, que faz de nós a capacidade de SERMOS BRASILEIROS.
Nos estádios, quase que imediatamente, sem aviso prévio ou combinação, a multidão de torcedores tem se unido e torcido pelo mais fraco. Foi isso que transformou o jogo Espanha x Taiti num grande espetáculo. Se o melhor do futebol é o gol, naquele dia o melhor era a torcida. Os 10 gols da Espanha serão esquecidos, mas a emoção do goleiro do Taiti jamais. O mesmo pode-se dizer da atuação da seleção do Japão, que imediatamente obteve o apoio da torcida no jogo contra a Itália. A decisão da torcida tem sido pelo mais fraco, não por malícia ou por interesse de eliminar os competidores mais fortes, mas por SOLIDARIEDADE. Esta opção fica transparente principalmente, quando os mais fracos representam a simplicidade de homens trabalhadores, que nem mesmo são profissionais do esporte, mas trabalhadores que jogam com a alma e têm a coragem de se apresentar em uma competição internacional para defender as cores da bandeira de seu país, e, depois, retornarão para seus lares e seus afazeres: pintores, pedreiros, pescadores e tantos outros afazeres.
O mesmo se deu nas ruas. No início dos movimentos, as primeiras concentrações foram tragicamente desmoralizadas pela mídia e pela força policial. Chamados de baderneiros, os jovens foram traiçoeiramente violentados pelas balas de borracha e pelas bombas de gás. Provou-se depois que houve exageros. Aqueles que deveriam proteger o povo posicionaram-se contra o povo. Com armas ou com letras, todos fuzilaram o movimento que começava a ganhar as ruas para denunciar uma situação inadmissível: aumentos nos transportes… e depois vieram as outras pautas: corrupção, contra a PEC 37, a falta de apoio à educação e à saúde enquanto bilhões de Reais estavam sendo gastos nos estádios.
O mesmo sentimento dos estádios espalhou-se pelas ruas. O brasileiro não consegue ver o mais fraco apanhar. Neste caso não só torceu pelo mais fraco, uniu-se a ele para dar-lhe força. Nos dias seguintes ao trágico início do movimento em São Paulo, multidões assumem as ruas, demonstrando que o movimento não era a causa da violência, mas a perfeita resposta a uma violência que a Nação vem sofrendo dia por dia em escolas esquecidas, sem teto e sem carteiras. Violência sofrida pelos professores mal pagos e desrespeitados em sala de aula. Violência no transporte urbano que visando ao lucro fácil espreme o povo em latas de sardinha motorizadas, qual gado a caminho do matadouro. Violência dos aumentos abusivos dos salários do políticos enquanto o salário mínimo é apenas corrigido abaixo da inflação. Violência de vidas abandonadas nos corredores dos hospitais, por falta de leitos, de médicos e de medicamentos. Toda esta história se arrasta em nossas vidas por 10, 20, 50, 100 anos. Sempre com a desculpa que não há dinheiro. Mas aí, da noite para o dia, aparece dinheiro para reformas bilionárias em estádios de futebol. Isso sim é uma grande violência. Violência é os políticos conseguirem liberar bilhões de reais para a reforma de um estádio, mas serem incapazes de liberar verbas para a reforma ou a construção de hospitais e escolas. Violência é o salário do político que hoje pouco ou nada contribui para qualidade de vida deste país em comparação ao salário de um professor, de um médico… Isso sim é violência. Isso sim é ultrajante.
Mas voltando a beleza do movimento invadiu as ruas de todo país. Os marginais infiltrados buscavam justamente passar a imagem de que o movimento era feito por gente violenta, capaz de quebrar tudo. Mas se um primeiro tempo, marginais, mídia e polícia conseguiram agir em coro, na sequência o movimento conseguiu demonstrar sua seriedade e afastou a pecha que já recaia sobre seus ombros. A polícia teve que rever suas ações e a mídia contrariada, teve que amenizar seu discurso. Porém, despreparada e maliciosa, a mídia não conseguiu superar a dualidade de seu discurso, e a única coisa que conseguiu noticiar foi: o manifesto pacífico x um pequeno grupo de baderneiros. Se espremer os noticiários da Globo, não se consegue muito mais do que isso. A velha, tradicional e fundamentalista dualidade.
A truculência policial e a pouca sensibilidade da mídia a serviço do poder econômico serviram de catalisadores e contribuíram para o engrossamento rápido das fileiras de povo na rua, pois o movimento soube demonstrar que violentos não eram eles. Viva a internet e aos celulares que às centenas multiplicaram fotos e vídeos que a TV oficial jamais teria mostrado.
Isso amplia nossa reflexão para outra realidade muito importante. A liberdade de imprensa: historicamente definida e defendida após a Revolução Francesa, a liberdde de imprensa aparece como o quarto poder. O jornalismo seria “o espaço crítico” do poder instituido, “voz do povo” para evitar que o poder reassumisse as características imperiais que antecederam a Revolução Francesa. De lá para cá, perdeu-se o contexto, ficou-se com o chavão: a liberdade de imprensa é uma das colunas de sustentação da democracia. E seria! Se não tivesse o jornalismo se transformado em EMPRESA JORNALISTICA a serviço e subserviente ao poder econômico. Em terras onde o poder econômico fala mais alto até mesmo que a justiça e o judiciário…. Em terras onde a corrupção não é criminalizada e os corruptos mesmo condenados continuam a participar do governo…. Uma empresa jornalística que tem como finalidade gerar lucros não há de estar preocupada em ser ou fazer crítica ao governo e aos desmandos dos políticos. Pelo contrário, este é um jornalismo de tapete, habilidoso em esconder a sujeira debaixo do tapete e lançar louros para os poderosos a fim de conquistar a publicidade distribuída pelo poder executivo e pelo poder legislativo nos níveis municipais, estaduais e federais. São gordas verbas de “cala boca” ambicionadas pelas empresas de comunicação, além de tantas outras verbas que se distribuem nos mais diversas campanhas feitas por todo o país. Não por menos, o estopim de todo o processo do mensalão tem seu epicentro em uma agência de publicidade.
Nesta sofisticada teia, temos a nossa sociedade, onde constantemente o status quo busca criminalizar a favela e a pobreza. Pois não é bom para a manutenção da estrutura de nossa sociedade que os pobres sejam vistos como o elo fraco em nossa sociedade, Por isso há tamanho esforço para tentar construir a imagem do pobre como preguiçoso, violento ou bandido. Pois só assim a sociedade brasileira não criará empatia pelo mais fraco. A mesma empatia e solidariedade que tem emocionado os estádios nos jogos com os times considerados mais fracos na competição: Taiti, Nigéria ou mesmo Japão. Mas o Brasil está levantando-se de se berço esplêndido. Quando estas barreiras caírem, quando o pobre não for mais marginalizado, criminalizado e finalmente visto como um brasileiro que tem sofrido a violência da injusta lógica do capital, haveremos de fazer muito mais do que colocar 2 milhões de pessoas caminhando juntos na rua. Quando isso acontecer, vamos reconstruir esta Pátria em MUTIRÃO.

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Chuvas de verão: catástrofe ou desinteresse?

Toda vez que pessoas morrem em nossa sociedade do século XXI por causa das chuvas lembro-me de Machu Picchu. Admiro-me! Como regredimos! As pessoas, em nossa sociedade do século das histórias da ficção científica estão abandonas. Não por falta de tecnologia – temos muita. Não por falta de dinheiro – já somos a sexta potência mundial. Não por falta de políticos – temos muitos e os mais bem pagos do planeta. Não por falta de impostos – somos a população que mais paga para viver em seu próprio território. Nosso povo morre por descaso. Nosso povo morre porque foi esquecido à sua própria sorte. Nosso povo morre, porque já não somos mais um povo. Viramos, e aceitamos ser, consumidores. Somos contados, contabilizados e divididos…. mas já não somos um povo.

Um povo – lembrando Machu Picchu – organiza-se para construir espaço de dignidade para a sua vida. Não vou discutir a divisão social daquele tempo. Admira-me a capacidade de construírem uma cidade que até hoje é um ícone. De nossa parte, de ano a ano, aguardamos, esperamos que os políticos reconstruam a cidade com o dinheiro que eles desviam. Impossível isso funcionar. Por falta de política habitacional e organização, continuamos a construir nas encostas, sem qualquer segurança. Ou vivemos em casas baixas quase dentro do leito dos rios. Porém, não é aceitável que se constitua aqui um novo mercado,  uma nova ‘industria’. Lado a lado, a indústria a seca e a indústria das enchentes e catástrofes fazem a alegria daqueles que enriquecem com a desgraça dos outros.

Às vezes me pergunto: o Brasil hoje está quase inteiramente entrecortado por grandes tubulações de gás e óleo. Os oleodutos e os gasodutos conduzem a riqueza e o lucro quase de norte a sul do país. Será que não poderiam fazer um sistema semelhante para transportar água? Transportar em grandes tubulações a grande quantidade de água de uma região para outra? Terminando com dois problemas ao mesmo tempo: enchentes e secas?

Certamente, um sistema assim não traria lucros como é possível verificar nos oleodutos e gasodutos…. Mas se salvasse uma vida, já teria valido a pena. Porém, para aqueles que tomam decisões a vida de uma pessoa parece não ter tanta importância… Pena, nas próximos chuvas de verão ainda vamos chorar nossos mortos…. Ainda não seremos um povo…. Mas continuaremos pagando com o próprio sangue os altos salários de políticos inescrupulosos, capazes de contabilizar lucros com a morte de seus concidadãos….

Em tempo: A pena para a corrupção deveria ser: além de mais de 30 anos de prisão, que todo o dinheiro público roubado deveria retornar aos cofres públicos em dobro, mesmo que para isso os corruptos perdessem todos os seus bens. A impunidade cria a possibilidade.

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Agir de Deus…

Muitas vezes, quem sabe, assume a atitude daquele que ensina. Esta pode ser uma relação de poder e dominação.  Esta imagem amplia-se quando pensamos em leis morais e normas. Em seu livro, “Jesus, aproximação histórica”, José Antonio Pagola demonstra que o “objetivo de Jesus não é proporcionar aos seu vizinhos um código moral mais perfeito, mas ajudá-los a intuir como é e como age Deus, e como será o mundo  e a vida se todos agirem como ele. É isso que ele quer comunicar com sua palavra e com sua vida inteira” (p. 115).

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